Já está disponível o novo número da revista REVER. A presente edição traz contribuições relacionadas a temática do Marketing Religioso e conta com a organização do Prof. Dr. Frank Usarski e do pesquisador Eduardo M. de Albuquerque Maranhão Filho.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
CERAL no Colóquio da PUC
O Programa de Pós Graduação em Ciências da
Religião realizou no dia 17 de outubro (quarta - feira) o colóquio “A religião
segundo o Censo”. O evento realizado no auditório Prof. Marco Antonio Marques
da Silva (sala 100-A, 1º andar, prédio novo) teve início às 9hs. Entre o
público presente, estavam alunos do Programa e também muitos interessados da
comunidade acadêmica e não acadêmica em geral. O CERAL estava representado pelo
professor Dr. Frank Usarski e pelo Dr. Rafael Shoji que também participaram
como palestrantes.
O
primeiro palestrante do evento foi o Prof. Dr. Jose Eustáquio Diniz Alves
(ENCE/ IBGE) que nos ofereceu uma síntese dos dados sobre religião do último
censo (2010).
Depois
o Prof. Dr. Edin Dued Abumannsur (PUC-SP) fez uma análise sobre os dados
relativos ao campo evangélico no Brasil. Edin pontuou a questão das diferentes
denominações e da grande variedade de igrejas.
Rafael
Shoji foi o palestrante a dar início às atividades da parte da tarde. Sua
exposição foi uma introdução de como se trabalhar com os dados do IBGE dentro
de nossa área (pesquisa em religião). Shoji também mostrou as diferentes formas
de abordagens dos dados, que vão desde porcentagens de ampla abrangência até
dados específicos e mais exatos que são os microdados.
O
Professor Dr. Frank Usarski também falou sobre a importância do estudo destes
dados para as pesquisas em Ciências da Religião. O professor fez abordou a
temática dos dados do IBGE através de seus estudos sobre o Budismo no Brasil.
A
Prof. Dr. Maria José Rosado da (PUC/GREPO) nos trouxe uma leitura em relação ao
catolicismo focando principalmente a questão da secularização.
Depois
foi a vez do Prof. Dr Silas Guerreiro que trouxe uma análise dos dados do IBGE
que focam os “sem religião” e as religiões esotéricas.
No
final os Palestrantes Frank Usarski, Rafael Shoji e Silas Guerreiro reforçaram
a necessidade do estudo e abordagem dos dados por parte dos estudantes e
pesquisadores em Ciências da Religião. Shoji argumentou sobre a importância de
projetos conjuntos com outras áreas, como computação e matemática, já que a
formatação e análise dos dados, bem como a montagem para pesquisas que
considerem tais dados dependem não apenas de um profissional, mas uma equipe
interdisciplinar. Sem dúvida, isto tornou-se uma condição necessária para que possamos,
como bem colocou Usarski, realizar uma Ciências da Religião aplicada.
Rafael Shoji (CERAL) falando sobre o tema: Desvendando os dados do IBGE - uma leitura instrumental
José Eustáquio Diniz Alves (IBGE) ofereceu uma sintese dos dados do últimos censo sobre a religião
domingo, 30 de setembro de 2012
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Entrevista com o Prof. Dr. Frank Usarski em relação aos dados sobre o Budismo no censo do IBGE
O budismo étnico está gradativamente envelhecendo
Entrevista com Frank Usarski
Por: Thamiris Magalhães
“No decorrer do último censo, identificaram-se 243.966 pessoas
como adeptos da religião budista. Isso significa um aumento de 29.093
pessoas em comparação com os números finais do censo de 2000 (214.873)”,
aponta o pesquisador da PUC-SP, Frank Usarski, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.
Para ele, em termos percentuais não havia mudança significativa. E
completa: “Pelo contrário, devido ao crescimento da população, a
proporção dos budistas no Brasil ficou inalterada. Tanto em 2000 como em
2012 os budistas autodeclarados representam apenas 0,13% da população
brasileira”.
Frank Usarski é doutor, com tese sobre os mecanismos
e motivos da estigmatização pública de novos movimentos religiosos na
Alemanha Ocidental e possui pós-doutorado na área de Ciência da Religião
pela Universidade de Hannover, na Alemanha, sobre o papel das religiões
nas Exposições Mundiais entre 1851 e 1900. Desde sua chegada ao Brasil
em 1998, faz parte do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião
da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. Em 2009,
obteve o título de Livre Docente na área de Ciências da Religião pela
PUC-SP. Entre suas atividades acadêmicas, destacam-se a pesquisa, o
ensino e diversas publicações sobre as religiões orientais, bem como
sobre a história e o perfil atual da ciência da religião. Além disso, é
fundador e coordenador da Revista de Estudos da Religião – REVER – e
líder do grupo de pesquisa Centro de Estudos de Religiões Alternativas
de Origem Oriental no Brasil – CERAL. De suas obras, além de O Budismo e as outras. Encontros e desencontros entre as grandes religiões mundiais (Aparecida: Ideias & Letras, 2009), citamos Constituintes da ciência da religião. Cinco ensaios em prol de uma disciplina autônoma (São Paulo: Paulinas, 2006).
Leia a entrevista na íntegra no site da IHU
terça-feira, 24 de abril de 2012
REVER N.2 DEZ. 2011.
Este número traz na sessão temática sete artigos que discutem as
modalidades de transplantação religiosa e adaptação cultural da herança
espiritual japonesa nos países que acolheram seus imigrantes,
principalmente no Brasil. As reflexões levam em conta, além de
considerações históricas, aspectos relacionados à dinâmica da
“exportação” de religiões japonesas para outros países, problemas
relacionados ao processo de imigração japonesa bem como teoremas e
conceitos como os do “hibridismo”, do “sincretismo” e, sobretudo, da
“transplantação religiosa”.
domingo, 22 de abril de 2012
Entrevista com Frank Usarski
Em 2009 a Idéias e Letras publicou "O Budismo e as outras: Encontros e desencontros entre as grandes religiões mundiais",
do primeiro professor livre Docente do Brasil em Ciências da Religião
Dr. Frank Usarski. O livro trabalha não só através de uma perspectiva
histórica mostrando o diálogo do Budismo com as outras religiões, mas
também mostra um dinâmica de construção de uma religião pela ótica da
Ciências da Religião, só estes dois aspectos valeriam para tornar a obra
um trabalho inédito de qualidade intelectual. Qualquer pessoa que se
interessa pelo estudo das Religiões deveria lê-lo, além de sua abordagem
única, vale dizer que o autor é um dos grandes pesquisadores do tema,
fazendo parte da vanguarda em âmbito mundial, enfim uma leitura
recomendada aqueles que se interessam por Religião e História. Abaixo
segue talguns trechos da entrevista do professor feita por Moisés
Sbardelotto a IHU online de 21/06/2010.
IHU On-Line – Em um dos capítulos
do livro, o senhor fala de “divergências substanciais” entre o Budismo e
as demais religiões mundiais. Em linhas gerais, quais seriam elas?
Frank Usarski – Há alguns temas recorrentes no diálogo entre o Budismo e o Hinduísmo, Judaísmo, Cristianismo e o Islã. O tema mais frequente é o do teísmo nas tradições não-budistas que o Budismo vê como um ponto crítico. Outros assuntos são mais específicos e têm sido abordados em diálogos com uma das quatro religiões acima mencionadas. Quanto ao Cristianismo, por exemplo, o Budismo tem dificuldades de atribuir a Jesus Cristo um status divino que ultrapassa sua apreciação “apenas” como um mestre espiritual. Além disso, uma retrospectiva revela que determinados tópicos ganharam uma relevância maior em certos momentos históricos. Para citar novamente o Cristianismo, budistas europeus do início do século XX criticavam fortemente a presença de missionários cristãos em países como China ou Birmânia e o impacto “destrutivo” das respectivas atuações sobre a cultura budista local.
IHU On-Line – O senhor afirma
que há “um preconceito fortemente enraizado no senso comum [de] que
‘bem lá no fundo’, no âmago, todas as religiões partem dos mesmos
princípios, têm objetivos semelhantes e se unem no desejo de harmonia e
de paz no mundo”. Nesse sentido, é possível uma ética mundial, como
defende Hans Küng?
Frank Usarski – Como
cientista da religião interessado na comparação das religiões, tenho
problemas com a ideia ingênua de que todas as religiões querem a mesma
coisa e compartilham uma essência comum. Ao mesmo tempo, concordo com a
busca de Hans Küng para uma ética mundial. Mas esta só pode der
construída a partir do reconhecimento das particularidades, da
integridade e da dignidade de cada um dos interlocutores envolvidos.
Caso contrário, acontecerá o mesmo que ocorreu com os chamados
“direitos humanos universais”. A respectiva declaração foi lançada em
1948, portanto, em um momento no qual países ocidentais representavam a
maioria dos membros da ONU. Depois da descolonização e da entrada de
países recém emancipados, foram articuladas dúvidas sobre a
“universalidade” dos valores oficialmente sancionados. O resultado foi
que, em 1981, a Organização para a Unidade Africana lançou a chamada
“Carta de Banjul dos Direitos Humanos”, que representa uma reformulação
dos direitos “ocidentais” de 1948. O mesmo vale para Declaração de
Cairo de Direitos Humanos pela XIX Conferência Islâmica dos Ministros
Exteriores em Cairo (1990). Isso significa que há partes do mundo
insatisfeitas com a versão oficial dos Direitos Humanos, uma vez que os
últimos não refletem as experiências historicamente acumuladas por
povos localizados em partes “não-ocidentais” do mundo. É obvio que uma
ética mundial deve transcender essas frentes. Mas isso só pode
acontecer quando as vozes de todos os interlocutores têm o mesmo peso. O
primeiro passo nessa direção é o reconhecimento do fato de que há
muitas plausibilidades em jogo e de que muitas das diferenças têm suas
raízes em doutrinas religiosas distintas e em alguns pontos
inconciliáveis.
IHU On-Line – Pode-se dizer
que o Budismo é uma religião tolerante em relação com as demais? Quais
seriam os limites e possibilidades de diálogo entre o Budismo e as
demais religiões mundiais?
Frank Usarski – O Budismo
desfruta uma imagem muito positiva. Muitos o veem como a mais pacífica
dentre as grandes religiões. Em minha opinião, a doutrina budista tem
esse potencial. Porém, nenhuma religião nasce e se desenvolve em um
vácuo, e poucos dos seus representantes são santos, mas sim sujeitos a
tentações “mundanas”. Há momentos na história que demonstram que o
Budismo também é vulnerável nesse sentido. Isso vale, por exemplo, para
a instrumentalização de instituições budistas locais por parte do
governo japonês em função da perseguição violenta de cristãos no país a
partir de 1631. Mas, ao longo da história, e comparado com as duas
outras religiões universais, isto é, o Islã e o Cristianismo, o Budismo
pode ser considerado uma religião norteada, sobretudo, pela ideia de
convivência pacífica.
terça-feira, 17 de abril de 2012
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